A Morte de Pio IV: Parte para a Casa do Pai
o Papa da Ascensão e da Esperança
A Igreja Católica recebeu com profunda comoção a notícia da morte de Sua Santidade o Papa Pio IV, Pontífice que marcou o seu breve, porém intenso ministério petrino por uma renovada reflexão sobre o mistério da esperança cristã, a centralidade da liturgia e a dimensão missionária da Igreja no mundo contemporâneo.
Seu falecimento encerra um pontificado que permanecerá na memória dos fiéis pela constante contemplação do Cristo glorificado e pela insistência em recordar à Igreja a sua vocação de viver entre a terra e o céu. Essa visão encontrou sua expressão mais madura na encíclica Ascendit In Caelum, documento que se tornou uma das principais referências de seu magistério e que foi publicado poucos meses antes de sua morte.
Na encíclica, Pio IV apresentava a Ascensão do Senhor não como uma despedida de Cristo, mas como o início de uma nova forma de sua presença no mundo. O Papa recordava que a Igreja encontra na liturgia o lugar privilegiado onde o céu toca a terra, onde o sacrifício de Cristo é tornado presente e onde os fiéis participam antecipadamente da glória futura prometida pelo Senhor. A obra foi recebida com grande apreço por teólogos, bispos e estudiosos da liturgia, sendo considerada uma das mais belas reflexões pontifícias sobre o sentido da esperança cristã no século XXI.
Para a Igreja no Brasil, especialmente para a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o nome de Pio IV permanecerá ligado a um momento histórico singular. Foi ele quem, no quinto dia do mês de maio de dois mil e vinte e seis, nomeou Dom Hortogantino como Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro, confiando-lhe a missão de conduzir pastoralmente uma das mais importantes arquidioceses da América Latina.
Poucos dias depois da nomeação, entre os dias 18 e 19 de maio de 2026, o Santo Padre realizou uma visita pastoral à cidade do Rio de Janeiro. A presença do Pontífice reuniu multidões de fiéis e proporcionou encontros marcantes com sacerdotes, religiosos, seminaristas e representantes dos diversos movimentos e organismos da Igreja local. A visita foi marcada por um clima de profunda comunhão eclesial e por uma renovada consciência da missão evangelizadora da Igreja.
O momento mais significativo ocorreu na Solenidade da Ascensão do Senhor, quando o Papa entregou pessoalmente o pálio arquiepiscopal a Dom Hortogantino. O gesto adquiriu um significado especial à luz da própria espiritualidade que caracterizou seu pontificado. Naquele dia, o sucessor de Pedro conferia o sinal da comunhão e da missão pastoral a um novo arcebispo justamente na celebração do mistério que ocupava lugar central em sua reflexão teológica: a Ascensão de Cristo. Muitos viram naquela cerimônia uma síntese perfeita do legado espiritual de Pio IV, unindo a comunhão da Igreja, o serviço pastoral e a esperança cristã.
Ao longo de seu pontificado, Pio IV dedicou-se a fortalecer os laços entre as Igrejas particulares e a Sé Apostólica, promovendo uma visão profundamente católica da unidade eclesial. Seus discursos e documentos insistiam frequentemente na necessidade de preservar a dignidade da liturgia, de renovar o ardor missionário e de oferecer ao mundo o testemunho de uma esperança fundada não em projetos humanos, mas na vitória de Cristo Ressuscitado.
Embora seu ministério petrino não tenha sido longo, sua influência espiritual foi significativa. Sua linguagem clara, sua sólida formação teológica e sua sensibilidade pastoral permitiram-lhe falar ao coração dos fiéis sem perder a profundidade doutrinal. Em um tempo marcado por incertezas e transformações rápidas, Pio IV procurou recordar constantemente que a Igreja não caminha sozinha, mas guiada pelo Senhor que reina glorioso à direita do Pai.
Agora, com sua partida para a Casa do Pai, a Igreja se recolhe em oração e gratidão. Permanece viva a memória de um Papa que fez da Ascensão do Senhor o grande horizonte de seu magistério, que recordou aos cristãos a beleza da liturgia e que procurou conduzir o povo de Deus a uma renovada consciência de sua vocação celestial.
Enquanto os sinos das igrejas ressoam em sufrágio por sua alma e os fiéis do mundo inteiro elevam preces pelo descanso eterno do Romano Pontífice, permanece a certeza que tantas vezes ele próprio proclamou: Cristo subiu aos céus para preparar um lugar para os seus, e a Igreja continua sua peregrinação terrestre sustentada pela esperança da glória futura.
Pio IV deixa este mundo como viveu seu ministério: com o olhar voltado para o céu, convidando toda a Igreja a caminhar na esperança até o encontro definitivo com o Senhor. Que Deus o acolha na plenitude da luz eterna e lhe conceda participar para sempre da glória daquele cuja Ascensão ele tão profundamente contemplou, ensinou e celebrou.

