Carta Pastoral | Sobre a Recepção da Carta Encíclica "Ascendit In Caelum" e a Renovação da Vida Litúrgica e Missionária em Nossa Arquidiocese

DOM HORTOGANTINO OTTAVIANI
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
ARCEBISPO DA ARQUIDIOCESE METROPOLITANA 
DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO

CARTA PASTORAL
SOBRE A RECEPÇÃO DA CARTA ENCÍCLICA ASCENDIT IN CAELUM 
E A RENOVAÇÃO DA VIDA LITÚRGICA E MISSIONÁRIA EM NOSSA ARQUIDIOCESE

Aos Reverendíssimos Sacerdotes, Diáconos, Religiosos e Religiosas, Seminaristas e a todos os fiéis leigos da Arquidiocese Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, graça, misericórdia e paz da parte de Deus Nosso Pai e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

1. O olhar elevado para Cristo

     Com grande alegria espiritual recebemos a Carta Encíclica "Ascendit In Caelum", promulgada por Sua Santidade o Papa Pio IV na Solenidade da Ascensão do Senhor deste Ano Santo de 2026.

     Num tempo marcado por tantas inquietações, dispersões e incertezas, o Santo Padre dirige à Igreja uma palavra luminosa de esperança, convidando-nos a contemplar novamente o mistério de Cristo glorificado, que subiu aos Céus sem abandonar o seu povo e continua presente na vida da Igreja por meio da Liturgia, dos Sacramentos e da ação do Espírito Santo.

     A Ascensão do Senhor não é apenas a memória de um acontecimento passado. É uma verdade viva que orienta a nossa existência e ilumina o caminho da Igreja peregrina. Como nos recorda a Encíclica, Cristo não se afastou da humanidade, mas levou-a consigo à glória do Pai, abrindo para todos nós as portas da eternidade.

2. Uma mensagem providencial para os nossos tempos

     A leitura atenta da Ascendit In Caelum revela uma profunda compreensão dos desafios que marcam a sociedade contemporânea.

     Vivemos em uma cultura frequentemente dominada pela velocidade, pelo excesso de informações, pela superficialidade das relações e pela perda do sentido do transcendente. Muitos homens e mulheres experimentam uma tristeza silenciosa, consequência da ausência de horizontes espirituais capazes de dar significado à existência.

     Por isso, a mensagem da Ascensão é particularmente atual. Ela recorda que a vida humana possui um destino eterno. O homem não foi criado apenas para os bens passageiros deste mundo, mas para a comunhão definitiva com Deus.

     Quando o céu desaparece do horizonte da vida, a esperança enfraquece. Quando Cristo volta a ocupar o centro, a esperança renasce.

3. Redescobrir a centralidade da Liturgia

     Entre os ensinamentos mais importantes da Encíclica está o chamado à renovação da consciência litúrgica.

     A Liturgia não é uma simples reunião religiosa nem uma recordação simbólica de fatos passados. Ela é participação real nos mistérios da salvação. Em cada celebração eucarística, a Igreja é introduzida na adoração eterna que Cristo oferece ao Pai.

     Particularmente significativa é a recordação do diálogo litúrgico:

"Sursum corda!" – "Corações ao alto!"

     Esta exortação ressoa em cada Santa Missa como um convite permanente da Ascensão. O cristão é chamado a viver no mundo sem pertencer ao espírito do mundo; a trabalhar na terra sem perder de vista o céu; a enfrentar as dificuldades da vida sustentado pela esperança das promessas eternas.

     Por isso, exorto todas as paróquias, comunidades e instituições arquidiocesanas a promoverem uma renovada formação litúrgica dos fiéis, para que a Santa Missa seja vivida com maior consciência, reverência e participação interior.

4. A beleza do sagrado

     A Encíclica recorda com acerto que uma Igreja que perde o sentido do sagrado corre o risco de perder também o sentido da transcendência.

     A dignidade das celebrações, o respeito pelos lugares sagrados, a nobreza da música litúrgica, o silêncio orante, a fidelidade às normas da Igreja e a centralidade da Eucaristia não são elementos secundários. São expressões concretas da fé da Igreja.

     Em nossa Arquidiocese, desejo encorajar todos os sacerdotes, diáconos, músicos, leitores, ministros e agentes pastorais a cultivarem um amor cada vez maior pela Liturgia da Igreja, celebrada com dignidade, fidelidade e espírito de oração.

5. Ascensão e missão

     As palavras dos anjos aos Apóstolos continuam ecoando em nossos dias:

"Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu?"

     A contemplação de Cristo glorificado não conduz à passividade. Pelo contrário, impulsiona a missão.

     A Igreja do Rio de Janeiro é chamada a anunciar Cristo com renovado ardor missionário. Em nossas paróquias, escolas, universidades, hospitais, obras sociais e também nos ambientes digitais, devemos testemunhar a alegria do Evangelho.

     A Ascensão nos ensina que não existe oposição entre contemplação e missão. Quanto mais unido a Cristo está o coração do discípulo, mais fecundo se torna seu apostolado.

6. O testemunho cristão no mundo digital

     A Encíclica dedica sábias reflexões à presença da Igreja no ambiente digital.

     As redes de comunicação oferecem oportunidades inéditas para a evangelização, mas também apresentam riscos de superficialidade, polarização e vaidade.

     Por isso, exorto especialmente os jovens, comunicadores, influenciadores católicos e agentes da pastoral da comunicação a fazerem das plataformas digitais instrumentos de verdade, caridade e evangelização.

     Não basta ocupar espaços. É necessário testemunhar Cristo.

     Não basta produzir conteúdo. É necessário transmitir a fé.

     Não basta ser visto. É necessário conduzir as pessoas ao encontro com Deus.

7. O caminho da santidade

     O Santo Padre recorda que a Ascensão é uma escola de liberdade e uma convocação à santidade.

     Nossa vocação não é a mediocridade espiritual. Somos chamados à conversão contínua, à vida sacramental, à oração perseverante e ao exercício concreto da caridade.

     Uma Arquidiocese verdadeiramente missionária será sempre uma Arquidiocese verdadeiramente santa.

     Por isso, renovo o convite à participação frequente na Santa Missa, à adoração eucarística, à confissão regular, à oração do Santo Rosário e à prática das obras de misericórdia.

8. Maria, Senhora da Esperança

     Ao contemplarmos a Ascensão do Senhor, voltamos também nosso olhar para a Santíssima Virgem Maria, presente no Cenáculo e perseverante na oração com os Apóstolos.

     Ela nos ensina a manter os olhos fixos no Céu sem abandonar as responsabilidades da terra.

     Sob a proteção de Nossa Senhora, peçamos a graça de sermos uma Igreja fiel, missionária, orante e profundamente enraizada em Cristo.

Conclusão

     Caríssimos irmãos e irmãs, a Ascendit In Caelum é um chamado providencial para a Igreja de nosso tempo.

     Que esta Encíclica inspire uma renovação autêntica da vida litúrgica, da formação cristã, da espiritualidade e do ardor missionário em toda a Arquidiocese Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro.

     Convido todas as comunidades a promoverem momentos de estudo, reflexão e oração sobre este importante documento pontifício, para que seus ensinamentos produzam abundantes frutos de santidade.

     Que Cristo, Senhor glorificado à direita do Pai, fortaleça nossa esperança.

     Que o Espírito Santo renove a face da Igreja.

     E que Maria Santíssima, Mãe da Igreja, nos conduza sempre ao seu Divino Filho.
Com minha bênção e afeto pastoral.

     Dado e passado na Cúria Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, aos trinta e um dias do mês de maio do Ano do Senhor de dois mil e vinte e seis.

  Dom Hortogantino Ottaviani  
Arcebispo da Arquidiocese Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro