DOM HORTOGANTINO OTTAVIANI
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
ARCEBISPO DA ARQUIDIOCESE METROPOLITANA
DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO
CARTA PASTORAL
A UNIDADE NA CARIDADE E A FIDELIDADE AO REBANHO:
UM CAMINHO DE COMUNHÃO
À comunidade arquidiocesana de São Sebastião do Rio de Janeiro,
aos nossos amados irmãos no episcopado, aos presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, e a todos os fiéis leigos que caminham conosco na fé, graça, paz e bênção em Nosso Senhor Jesus Cristo.
“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.” (Jo 10,11)
Amados filhos e filhas em Cristo,
A Igreja que caminha nesta amada Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro é chamada, em meio às alegrias e desafios do nosso tempo, a ser sinal visível da presença de Cristo Bom Pastor no coração do mundo. Em uma cidade marcada por contrastes, sofrimentos, esperanças e profundas buscas espirituais, somos convidados a renovar diariamente nossa fidelidade ao Evangelho e nossa comunhão eclesial.
O Senhor Jesus, ao apresentar-Se como o Bom Pastor, revela-nos não apenas a beleza do ministério pastoral, mas também sua exigência. O pastor verdadeiro não abandona o rebanho, não se fecha em si mesmo, não transforma o serviço em privilégio, nem a missão em comodidade. Antes, faz de sua vida uma oferta constante em favor do povo que lhe foi confiado.
Por isso, a Igreja espera de seus ministros ordenados um testemunho de presença, dedicação e zelo pastoral. O ministério não pode ser vivido à distância do altar, do povo e da comunhão eclesial. Todo pastor é chamado a caminhar junto ao rebanho, sustentando os fracos, consolando os aflitos, promovendo a unidade e servindo com humildade e perseverança.
A este respeito, recordamos também a Constituição Apostólica "De Assiduitate Cleri", do Papa Pio IV, que recorda aos ministros da Igreja a grave responsabilidade de permanecerem fiéis à missão recebida, vivendo com assiduidade, presença pastoral e espírito de serviço junto ao povo de Deus. Ainda hoje, esta exortação conserva profunda atualidade, especialmente em tempos que exigem de nós renovado ardor missionário e sincero testemunho de comunhão.
Nenhum sacerdote, diácono ou bispo deve carregar sozinho o peso da missão. A comunhão nasce também do apoio mútuo e da caridade fraterna. Somos chamados a cuidar uns dos outros, fortalecendo os vínculos de fraternidade sacerdotal e de colaboração pastoral, para que ninguém desfaleça diante das exigências do ministério ou das dificuldades da caminhada.
Ao mesmo tempo, é necessário recordar que a comunhão é um dom que precisa ser continuamente cultivado. As divisões, os personalismos, os conflitos prolongados e os interesses particulares ferem o testemunho da Igreja e obscurecem a beleza do Evangelho. Como recorda o Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, “a unidade prevalece sobre o conflito”. Esta verdade deve iluminar nossa vida pastoral, nossas relações fraternas e o exercício da autoridade na Igreja.
A obediência eclesial, vivida com espírito de fé, não diminui a dignidade de ninguém; ao contrário, fortalece a comunhão e preserva a unidade do Corpo de Cristo. De modo particular, os ministros ordenados são chamados a viver com responsabilidade as convocações, os compromissos pastorais e os deveres próprios de seu estado de vida, oferecendo ao povo de Deus um exemplo de fidelidade, disponibilidade e amor pela Igreja.
Reconhecemos, contudo, que todos somos marcados pela fragilidade humana. Por isso, a correção fraterna, a misericórdia e o diálogo devem sempre caminhar juntamente com a necessária disciplina eclesial. Nenhuma medida pastoral ou administrativa deve nascer do espírito de punição, mas do sincero desejo de restaurar a comunhão, fortalecer o testemunho da Igreja e reacender o ardor missionário entre nós.
Nossa Arquidiocese necessita de pastores próximos do povo, de comunidades unidas na caridade e de fiéis comprometidos com a missão evangelizadora. O Rio de Janeiro precisa ver uma Igreja viva, reconciliada, missionária e profundamente apaixonada por Jesus Cristo. Não podemos permitir que desânimos, disputas ou ausências enfraqueçam a credibilidade de nossa missão.
Convido, portanto, cada sacerdote, diácono, religioso, religiosa e fiel leigo a renovar hoje seu compromisso com Cristo e com Sua Igreja. Que nossas paróquias sejam lugares de acolhimento e fraternidade; que nossos ministros sejam sinais de dedicação e serviço; e que todos nós saibamos colocar o bem da Igreja acima de preferências pessoais ou interesses passageiros.
Caminhemos juntos, sustentados pela oração, pela caridade e pela esperança. O Senhor continua conduzindo Sua Igreja e jamais abandona aqueles que n’Ele confiam. Que São Sebastião fortaleça nossa fidelidade e coragem apostólica, que o Cristo Redentor, de braços abertos sobre nossa cidade, nos recorde sempre que a verdadeira autoridade cristã se realiza no amor que acolhe, serve e permanece e que sob o olhar materno da Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, avancemos com coragem, certos de que o Espírito Santo continua renovando a face da terra e fortalecendo nossa Arquidiocese na unidade e na missão.
IN VIA IESU AMBULEMUS!
Com afeto paternal, concedo a todos minha bênção e peço que permaneçamos firmes na fé, constantes na esperança e perseverantes na caridade.
Dado e passado na Cúria Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, aos vinte e seis dias do mês de maio do Ano do Senhor de dois mil e vinte e seis.
Dom Hortogantino Ottaviani
Arcebispo da Arquidiocese Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro
